domingo, 2 de fevereiro de 2014
CLARÍSSIMA CLARINHA
Li em algum jornal que desde 1916 não fazia calor igual em Porto Alegre. Como nasci muito depois dessa data, afirmo que jamais senti tanto calor desde o meu nascimento.
Temperaturas tórridas nos fazem lembrar de praias paradisíacas, mar calmo e azul, coqueiros, bebidas refrescantes, e paixões igualmente tórridas.
Na minha adolescência eu frequentava uma das praias do Rio Grande do Sul, e quem as conhece, sabe bem que não existe coqueiros, o mar revolto tem uma bela tonalidade marrom Nescau, o vento nordeste (o famoso Nordestão) nos teletransporta de uma praia a outra em minutos, e naquela época, além de bebidas refrescantes, apenas algumas tórridas paixões aconteciam.
Foi neste cenário que conheci a Clarinha. Ou, Maria Clara, para os não tão íntimos.
Era uma menina ruiva, descendente de russos, cujo sobrenome composto apenas por consoantes jamais soube pronunciar.
Clarinha era literalmente muito clarinha - quase translúcida. Seus longos cabelos cor de fogo, em contraste com sua alva pele, me faziam lembrar um ovo frito. Ou seja, aquela gema alaranjada no meio da clara branquinha. Ah... minha clara Clarinha!
Entre tantas meninas bronzeadas, ela chamava atenção pelo porte e por aquele jeitinho de quem havia chegado da Sibéria há pouco.
Confesso que adorava passear na beira da praia ao seu lado, mesmo ela sendo um pouco mais alta. Algumas pessoas perguntavam se ela era modelo, e eu afirmava que sim, mesmo sabendo que ela jamais havia pisado numa passarela.
Com o tempo fiquei sabendo que aquela brancura toda a incomodava. Ela queria estar bronzeada como as outras meninas, mas eu tinha certeza que o máximo que conseguiria, seria aquele tom róseo típico dos leitões.
Um belo dia, como num passe de mágica, vi minha alva Clarinha com um tom amadeirado na pele. Era estranho vê-la assim. Quando fui beijá-la, senti um cheiro horrível e um gosto pior ainda. O maldito responsável era um tal Rayito de Sol, bronzeador argentino tão em moda naquela época. Para completar o quadro da dor olfativo, ela passou a usar um perfume que também era moda chamado Patchouly...!
Meu olfato canino não suportou, e ali terminou a nossa tórrida paixão.
Continuamos nos vendo por algum tempo, e ela continuava a usar aquela mistura fantástica denominada "espanta Francisco".
Cada vez que a via com aquele bronzeado tipo frango de padaria, eu suspirava e lembrava daquela epiderme translúcida com cabelos ruivos, pelos quais me apaixonei perdidamente.
Sem mar azul, coqueiros, nem paixão tórrida, fiquei apenas com a bebida refrescante. Isso enquanto durou o gelo no isopor...!
domingo, 12 de maio de 2013
MATURIDADE HIGH-TECH
Não são raras as vezes em que quando encontro amigos, que como eu, estão na pós-adolescência, conversamos sobre novidades tecnológicas e fatalmente comparamos com os nossos "anos dourados", onde não havia Celular, TV a Cabo, Internet, Redes Sociais, Namoros Virtuais e suas consequências, Aplicativos fantásticos que facilitam nossas vidas, e mais uma infinidade de avanços que nem em sonho imaginávamos naqueles tempos. Também não havia Funk, Pagode, Música Sertaneja, Luan Santana nem Justin Bieber. Esse era o lado bom.
Acompanhei a transição da TV em Preto&Branco, para a transmissão em cores, e meu único meio de comunicação que tinha em casa, era um bom e velho telefone fixo, que facilitava um pouco minha vida, desde que minha irmã não estivesse em casa, pois ela ficava horas a fio namorando ou conversando bobagens, mesmo com os protestos ameaçadores do meu pai.
Mencionei isso, porque li que num Salão de Novidades Tecnológicas de Berlim, um expositor chinês lançou uma geladeira transparente e interativa; não precisa abrir a porta para ver o que tem dentro e o aparelho gerencia o estoque. Não duvido que a tal geladeira cite máximas de Confúcio e apresente o horóscopo do dia.
Num outro setor do Salão, um fabricante japonês também apresentou algo fantástico e inovador. Trata-se de um banheiro inteligente que transforma-se praticamente num consultório médico, completo e sem fila. A pessoa senta, faz as necessidades básicas, lê o jornal, faz palavras cruzadas, e sai com os resultados completos de exame de urina, fezes, sangue, temperatura, pressão, peso, colesterol, taxa de fertilidade, expectativa média de vida, estresse. A máquina ainda manda o relatório para o médico em convênio com planos de saúde.
Imagino que como tudo, pode ter efeitos colaterais; vai que os hipocondríacos desenvolvam prisão de ventre com medo de entrar num banheiro tão invasivo.
Existem também os carros inteligentes, que estacionam sózinhos, ainda que ao darem ré possam atropelar algum desavisado. Só falta me dizerem que já existe uma máquina inovadora capaz de escrever livros do Paulo Coelho em meia hora, ou músicas do Michel Teló em questão de minutos!
Estou misturando os assuntos. É que tudo isso me deslumbra! E tem outra coisa...algumas vezes quando quero falar sobre algo importante, tenho o péssimo hábito de dar algumas voltas.
Pois bem! Mesmo não possuindo uma geladeira transparente, ou um banheiro/consultório, a Internet e suas redes sociais tiveram um papel importante na minha vida pós telefone fixo e TV Preto&Branco. Nela, meu trabalho teve significativo aumento de produtividade; novas amizades surgiram e antigas foram resgatadas; amores que não deram certo em épocas recentes, foram substituidos por outro, mais sólido e real, o que me faz ter certeza que as inovações tecnológicas fazem muito bem ao coração!
As coisas da Internet e a Internet das coisas, revolucionaram minha vida. Sem a frieza de uma geladeira transparente.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
O RETORNO!
Depois de vários meses sem surtar por aqui, voltei. E tive alguns motivos importantes que me fizeram retornar. Um deles foi a saudade do blog, pois estava sentindo falta de expressar alguns sentimentos que sómente aqui se torna possível.
Aquela coisa, interativa é verdade, mas um pouco sem sentimento que postamos num Twitter ou Facebook, nem de longe se compara a um texto com várias linhas e parágrafos, ainda que mal traçados. Até os comentários de quem nos segue são diferenciados, se é que me entendem!
Outro motivo que foi determinante para a minha volta, foi uma leitora muito especial, a quem agradeço pelo incentivo. Nada como se ter uma musa inspiradora!
Um senhor chamado Facebook, foi talvez o responsável principal pelo meu afastamento do blog. Mergulhei completamente na onda do Face, onde uma simples frase é postada, e em seguida várias pessoas curtem ou comentam sem nem entenderem direito o sentido. Ou então, frases feitas com autoria errada, dependendo do público, também fazem o maior sucesso.
Existem também as indiretas (ou diretas), onde muitas vezes o alvo nem é atingido, mas os outros curtem e adoram! Coisas do Sr. Face!!
Lembro que aqui no blog (e no finado PRA LER NO BANHEIRO), também enviei muitas indiretas, mas eram através de textos bem explicativos, quase desenhados, e sempre acertava na mosca! Os comentários posteriores não me deixavam mentir.
Durante o último final de semana, quando resolvi ressussitar o SURTO, fiz uma analogia entre o Blog e o Facebook.
Concluí que o Face é como aquela refeição "fast food", tipo Burger King, onde em questão de minutos você fica satisfeito e ainda sai com uma coroa de papel ridícula na cabeça. No blog você se sente como um gourmet...!
Existe um preparativo para o texto, e o mesmo após escrito, é degustado com prazer, seguido de comentários sinceros de quem leu até o fim, e ainda o convida para uma visita no seu espaço. Sem contar que o texto publicado pode ficar indefinadamente à disposição para degustações posteriores.
Dito isto, só me falta agora assuntos interessantes para publicar, e prometo me dedicar mais atentamente a este meu espaço onde surtei inúmeras vezes com vocês, sem deixar é claro, de dar as passadinhas básicas na casa do Senhor Face, para não deixá-lo enciumado.
I´ll Be Back...!!!
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
E AÍ, NENÉM, VAI ENCARAR?
Outro dia, sentado à beira-mar, e vendo o movimento das pessoas ao lado, lembrei do Jurandir.
Jurandir era um cara tímido; ia sempre em janeiro para a praia com a mulher. Suas férias eram sagradas, e por ter a pele mais branca que um vestido de noiva, ficava sentado sob o guarda sol olhando disfarçadamente o desfile de bundas que teimavam em passar à sua frente.
Jurandir tinha um sonho, e sempre o mesmo sonho. Um sonho de verão. Sonhava e imaginava que uma gostosa, uma megagostosa, deitava-se diante dele, na praia, e ficava só provocando. Num dia, estava de biquini branco. No outro, de biquini preto. Jurandir não admitia variações nas cores do biquini. Sonhava em preto e branco. Era um sonho monocromático e monotemático. A gata ficava de bumbum para cima sorrindo para ele.
Havia porém, dois problemas. Jurandir ia à praia sempre com a mulher à tiracolo. E pior, quando a Dona Encrenca entrava na água, as coisas que a provocadora, sem a menor cerimônia dizia para ele, deixavam-no inquieto:
- E aí, neném, vai encarar?
Não era o fato de não poder encarar que o incomodava, nem a covardia da gostosa, desafiando-o naquela situação de fragilidade, o que o enfurecia era o neném. Por que cargas d´agua ela o chamava de neném? Aquilo destoava da beleza dela.
Jurandir pensou em procurar um terapeuta. Afinal, sentia-se vítima de uma alucinação, de uma fantasia tipicamente masculina que terminava mal. Queria livrar-se, não da megagostosa, mas da sua mania de dizer "e aí, neném, vai encarar?". Um especialista disse-lhe que era tudo ou nada. Se queria desembaraçar-se do neném, perderia a gata. Outro, mais pragmático, discípulo de uma conhecida senadora, recomendou-lhe simplesmente relaxar e gozar.
Um dia, o sonho do Jurandir se realizou. Uma megagostosa deitou-se na frente dele, de biquini preto e ficou rindo para ele enquanto sua esposa dava um mergulho. O pobre suava pensando no momento infalível:
- E aí, neném, vai encarar?
Torcia para que a mulher voltasse e o salvasse da humilhação. De repente, os lábios da moça se mexeram:
- Está gostando da paisagem?
Jurandir ficou mais vermelho que a bandeira do meu Internacional. De que ela estaria falando? Seria uma metáfora? Ou uma provocação?
- Paisagem? Que paisagem?
- Os morros à sua frente!
- Morros?
Estaria ela falando dos morros no lado oposto ao mar, ou do seu certamente siliconado bumbum. Jurandir esfregou os olhos. Aquilo não poderia estar acontecendo. Gaguejou, como sempre. As boas respostas sempre lhe chegavam com uma semana de atraso.
- São lindos! - balbuciou.
- Os morros, ou... - sussurrou ela.
Era tudo ou nada. Nesse momento uma mão conhecida e molhada pousou no seu ombro, e ele ouviu apavorado:
- E aí, neném, vai encarar o mar comigo?
Sei lá porque, mas assim como o Jurandir, também tenho pânico ao ouvir alguém me chamar de neném, principalmente se for um convite masculino para beber cerveja...! Mas isso é outra história. Qualquer dia eu conto.
Jurandir era um cara tímido; ia sempre em janeiro para a praia com a mulher. Suas férias eram sagradas, e por ter a pele mais branca que um vestido de noiva, ficava sentado sob o guarda sol olhando disfarçadamente o desfile de bundas que teimavam em passar à sua frente.
Jurandir tinha um sonho, e sempre o mesmo sonho. Um sonho de verão. Sonhava e imaginava que uma gostosa, uma megagostosa, deitava-se diante dele, na praia, e ficava só provocando. Num dia, estava de biquini branco. No outro, de biquini preto. Jurandir não admitia variações nas cores do biquini. Sonhava em preto e branco. Era um sonho monocromático e monotemático. A gata ficava de bumbum para cima sorrindo para ele.
Havia porém, dois problemas. Jurandir ia à praia sempre com a mulher à tiracolo. E pior, quando a Dona Encrenca entrava na água, as coisas que a provocadora, sem a menor cerimônia dizia para ele, deixavam-no inquieto:
- E aí, neném, vai encarar?
Não era o fato de não poder encarar que o incomodava, nem a covardia da gostosa, desafiando-o naquela situação de fragilidade, o que o enfurecia era o neném. Por que cargas d´agua ela o chamava de neném? Aquilo destoava da beleza dela.
Jurandir pensou em procurar um terapeuta. Afinal, sentia-se vítima de uma alucinação, de uma fantasia tipicamente masculina que terminava mal. Queria livrar-se, não da megagostosa, mas da sua mania de dizer "e aí, neném, vai encarar?". Um especialista disse-lhe que era tudo ou nada. Se queria desembaraçar-se do neném, perderia a gata. Outro, mais pragmático, discípulo de uma conhecida senadora, recomendou-lhe simplesmente relaxar e gozar.
Um dia, o sonho do Jurandir se realizou. Uma megagostosa deitou-se na frente dele, de biquini preto e ficou rindo para ele enquanto sua esposa dava um mergulho. O pobre suava pensando no momento infalível:
- E aí, neném, vai encarar?
Torcia para que a mulher voltasse e o salvasse da humilhação. De repente, os lábios da moça se mexeram:
- Está gostando da paisagem?
Jurandir ficou mais vermelho que a bandeira do meu Internacional. De que ela estaria falando? Seria uma metáfora? Ou uma provocação?
- Paisagem? Que paisagem?
- Os morros à sua frente!
- Morros?
Estaria ela falando dos morros no lado oposto ao mar, ou do seu certamente siliconado bumbum. Jurandir esfregou os olhos. Aquilo não poderia estar acontecendo. Gaguejou, como sempre. As boas respostas sempre lhe chegavam com uma semana de atraso.
- São lindos! - balbuciou.
- Os morros, ou... - sussurrou ela.
Era tudo ou nada. Nesse momento uma mão conhecida e molhada pousou no seu ombro, e ele ouviu apavorado:
- E aí, neném, vai encarar o mar comigo?
Sei lá porque, mas assim como o Jurandir, também tenho pânico ao ouvir alguém me chamar de neném, principalmente se for um convite masculino para beber cerveja...! Mas isso é outra história. Qualquer dia eu conto.
terça-feira, 26 de julho de 2011
SINTOMAS DA IDADE...!
Existem quatro ou cinco sinais claros de que o sujeito está ficando velho. O principal é começar a se preocupar com as doenças dos amigos da mesma faixa etária.
Outro sintoma da passagem do tempo é o uso frequente da palavra sintoma. Um jovem jamais recorre a esse termo, e muito menos fala a palavra "jovem". Só velho fala jovem e juventude.
Outro sintoma é o uso de fórmulas como "antigamente era bem melhor" e "no meu tempo". Usou "no meu tempo", é batata; trata-se de alguém que passou do tempo. Um terceiro sintoma é so gostar de músicas de "antigamente" e considerar que já não se fazem canções como "antes". A turma da pré-história adora lembrar que antigamente era necessário ter voz para cantar. Essa mesma turma da terceira idade, ou quase chegando lá, vive saudosa dos bons tempos do Chico Buarque e do Caetano.
Um sintoma claro de que a pessoa passou o Cabo da Boa Esperança é fazer comparações entre velhos e novos sertanejos. Luan Santana, por exemplo, além de vesgo canta mal. Bom mesmo era Tonico e Tinoco!
Talvez o mais evidente sintoma de que o cara envelheceu é detestar músicas novas em shows. O sintoma mais terrível, no entanto, sinal de agravamento do estado das coisas, é quando alguém começa a pensar em "Moça", do Wando, com alguma nostalgia.
As novelas da TV também chegaram à terceira idade. Cada vez mais recorrem a clássicos da MPB como trilha sonora. Desconfio que falar "trilha sonora" também revela a idade.
Eu admito: não cozinho mais na primeira fervura. Por mais que tente, não localizo uma só música como nos tempos dos Beatles ou do velho Chico, e muito menos quando Gal, Bethania e Caetano eram "novos baianos" e nenhum deles recorria a leis de incentivo.
Os sintomas mudam com o tempo, como por exemplo não acreditar que Roberto e Erasmo chegaram aos 70 anos, ou pensar em Chico Buarque como um gato.
Confesso que não encontro atualmente uma só música com a qualidade de qualquer uma das faixas do LP Sargent Pepper´s dos Beatles. Sei que fica difícil escrever sem entregar minha idade, afinal, quem fala LP e "faixa" entrega o ouro na hora!
Há sintomas mais graves ainda. Muito mais graves! Saber na ponta da língua o que ocorreu em maio de 1968, ter ido dormir após o comercial dos Cobertores Parahyba, ou pior...usar reticências e ponto de exclamação num texto! Reticências e ponto de exclamação é uma certidão de nascimento. Ou, certidão de óbito. Como queiram!
Tenho que ser justo. É verdade que existem algumas músicas legais tocadas por algumas bandas bacanas, mas nada extraordinário. Escrevi "banda" para tentar ser jovem. No meu tempo era conjunto. Depois virou grupo. Sempre quis entender a diferença entre banda e conjunto. Agora já sei. É só uma questão de idade musical.
O mais novo sintoma da passagem do tempo é afirmar categoricamente que ler no papel é cognitivamente mais rico do que ler um blog na tela. Aí, tenho minhas dúvidas!
Enfim, cada um com seus sintomas...!
Outro sintoma da passagem do tempo é o uso frequente da palavra sintoma. Um jovem jamais recorre a esse termo, e muito menos fala a palavra "jovem". Só velho fala jovem e juventude.
Outro sintoma é o uso de fórmulas como "antigamente era bem melhor" e "no meu tempo". Usou "no meu tempo", é batata; trata-se de alguém que passou do tempo. Um terceiro sintoma é so gostar de músicas de "antigamente" e considerar que já não se fazem canções como "antes". A turma da pré-história adora lembrar que antigamente era necessário ter voz para cantar. Essa mesma turma da terceira idade, ou quase chegando lá, vive saudosa dos bons tempos do Chico Buarque e do Caetano.
Um sintoma claro de que a pessoa passou o Cabo da Boa Esperança é fazer comparações entre velhos e novos sertanejos. Luan Santana, por exemplo, além de vesgo canta mal. Bom mesmo era Tonico e Tinoco!
Talvez o mais evidente sintoma de que o cara envelheceu é detestar músicas novas em shows. O sintoma mais terrível, no entanto, sinal de agravamento do estado das coisas, é quando alguém começa a pensar em "Moça", do Wando, com alguma nostalgia.
As novelas da TV também chegaram à terceira idade. Cada vez mais recorrem a clássicos da MPB como trilha sonora. Desconfio que falar "trilha sonora" também revela a idade.
Eu admito: não cozinho mais na primeira fervura. Por mais que tente, não localizo uma só música como nos tempos dos Beatles ou do velho Chico, e muito menos quando Gal, Bethania e Caetano eram "novos baianos" e nenhum deles recorria a leis de incentivo.
Os sintomas mudam com o tempo, como por exemplo não acreditar que Roberto e Erasmo chegaram aos 70 anos, ou pensar em Chico Buarque como um gato.
Confesso que não encontro atualmente uma só música com a qualidade de qualquer uma das faixas do LP Sargent Pepper´s dos Beatles. Sei que fica difícil escrever sem entregar minha idade, afinal, quem fala LP e "faixa" entrega o ouro na hora!
Há sintomas mais graves ainda. Muito mais graves! Saber na ponta da língua o que ocorreu em maio de 1968, ter ido dormir após o comercial dos Cobertores Parahyba, ou pior...usar reticências e ponto de exclamação num texto! Reticências e ponto de exclamação é uma certidão de nascimento. Ou, certidão de óbito. Como queiram!
Tenho que ser justo. É verdade que existem algumas músicas legais tocadas por algumas bandas bacanas, mas nada extraordinário. Escrevi "banda" para tentar ser jovem. No meu tempo era conjunto. Depois virou grupo. Sempre quis entender a diferença entre banda e conjunto. Agora já sei. É só uma questão de idade musical.
O mais novo sintoma da passagem do tempo é afirmar categoricamente que ler no papel é cognitivamente mais rico do que ler um blog na tela. Aí, tenho minhas dúvidas!
Enfim, cada um com seus sintomas...!
quarta-feira, 15 de junho de 2011
UM RICHARD GERE (quase) GAÚCHO!

Depois de mais de um mês afastado do blog, principalmente por absoluta falta de "inspiração literária", retorno saudoso dos meus dois ou três leitores que têm a paciência e boa vontade de me acompanharem.
Na verdade, a expressão certa não é falta de inspiração, e sim falta de talento mesmo...! Deixando de lado essa síndrome de humildade, digna do meu xará São Francisco de Assis, vamos ao post de hoje, sem deixar de agradecer à Maria de Fátima pela "inspiração alcançada".
Maria de Fátima, ou Fá para os íntimos, é funcionária de uma montadora de veículos localizada aqui no Rio Grande do Sul. Tudo bem... não queria fazer propaganda, mas a tal montadora é a GM, apesar que tal explicação é desnecessária, pois só temos mesmo uma fábrica de veículos aqui no Estado, graças ao PT que mandou a Ford embora. Mas isso é outra história!
Voltando à Maria de Fátima, duvido que exista alguém que seja mais apaixonada por Richard Gere do que ela. A criatura possui um acervo de fotos do cara, que nem ele imagina. Junto ao seu computador no trabalho, tem um porta retrato com Mr. Gere sorrindo para ela, sem contar que a tela de fundo do seu monitor, tem uma foto-montagem com os dois se beijando...! Nunca vi amor igual.
Outro dia, estávamos na lanchonete da GM tomando um cafézinho, e surgiu (como sempre) o assunto Richard Gere. Ela contava que assistiu todos os filmes dele, e que também tornou-se budista como forma de ficar mais perto do amado.
Durante o papo (chato pra caramba), ela comentou sobre um sonho que teve, onde ela passeava de mãos dadas com Rick (como ela o chama) no Parque da Redenção aqui em Porto Alegre. Neste momento, não aguentei e perguntei se ela sabia que o amor de sua vida já esteve na Capital gaúcha. Ela sorriu duvidando, achando que era uma brincadeira que eu fazia.
Assumi um ar sério (para dar mais credibilidade) e contei que na década de 80 ele teve uma namorada gaúcha de Bagé, chamada Sylvia Martins, e por conta desse namoro o casal passeou de mãos dadas no Parque, tal e qual o sonho dela. Para ser mais cruel, contei-lhe que ambos assistiram filmes no finado Cine Bristol (defronte ao parque), e andavam pelas ruas do bairro BomFim sem que ele fosse reconhecido.
Existe também um relato do jornalista Luiz Carlos Merten, do Estadão, em que ele conta que certo dia, quando trabalhava aqui no Diário do Sul, avistou alguém sentado num banco de praça que "era a cara do Richard Gere". Quando chegou à redação, comentou com um colega sobre o que vira, e foi informado que o cara do banco da praça, era o dito cujo.
Naquele dia, o chefe de redação havia cobrado alguma reportagem ou entrevista, e Merten afirma que até hoje não se perdoa pela oportunidade perdida.
A essa altura, Maria de Fátima com ar incrédulo, e olhar esbugalhado só queria saber de duas coisas: 1) Se Rick ainda tinha alguma coisa com aquela "perua horrorosa". E 2) Se eu achava que ele poderia voltar aos pampas algum dia.
Despi-me do ar sério, e vestindo uma cara paternal disse-lhe que na vida tudo é possível, e que ela não descartasse a possibilidade de um dia ambos encontrarem-se no Templo Budista da cidade de Três Coroas-RS.
Ela acreditou, mesmo sabendo que na melhor das hipóteses haveriam Dois Coroas (ele e ela), separados pela América Central.
Ontem, ao passar pela mesa da Fá, pude observar a foto de Rick e Sylvia rasgada ao meio, e na metade onde aparecia sua rival, tinham vários alfinetes cravados na pobre bageense!
Mulher enciumada, é fueda...!
sábado, 7 de maio de 2011
HISTORIADOR, OU CONTADOR DE ESTÓRIA...!

Há algum tempo atrás, li que não existe mais diferença entre História e Estória.
Existindo ou não, para mim, não tem a menor importância, pois alguns fatos "históricos", na minha modesta opinião, não passam de estórias contadas de acordo com a conveniência de quem viveu tal fato.
Cito como exemplo, a maneira como foi, e é contado hoje em dia a história de alguns governos no Brasil.
Na minha adolescência, aprendi que o Governo JK era desenvolvimentista, e que os "cinquenta anos em cinco", era uma realidade. Aprendi também, que a instalação dos governos militares visavam impedir o caos iminente promovido por João Goulart, Brizola, & Cia. Ltda, já que a aproximação com Fidel e Guevara afundariam a pátria amada num regime comunista sem volta.
Getúlio Vargas, era mostrado como o "pai dos pobres"; criador da Petrobrás; e defensor da Reforma Agrária. Hoje em dia, JK é lembrado como o presidente que endividou o país; Jango e o cunhado são idolatrados pela esquerda; e Getúlio não é citado como o ditador que foi, e que pregava a reforma agrária, desde que longe das suas terras em São Borja.
Se fizermos uma comparação com livros de história do Brasil das décadas de 60 e 70, com os de hoje, poderemos achar que se tratam de paises diferentes!
O próprio descobrimento do Brasil é cheio de controvérsias...!
É verdade que alguns fatos históricos não podem ser contestados, sob pena do "contestador" ser rotulado como racista, reacionário, ou mentiroso. Principalmente, fatos que têm a benção dos norte americanos. Imaginem alguém querendo questionar a forma como ocorreu a ida do homem à lua, ou o holocausto! É prisão ou morte, na certa!
Nessas mal contadas histórias, sobrou inclusive para Jesus Cristo, já que alguns estudiosos afirmam haver divergências nas datas de nascimento e morte do Salvador. Segundo eles, calendários e fases da lua nesses 2011 anos, são provas incontestáveis.
Tenho enorme curiosidade em saber como será contada a história daqui há 50 anos. Não duvido que o penta campeonato da seleção brasileira seja questionado, ou então que alguém duvide que o meu Internacional foi campeão do mundo e Bi da América.
Daí, mesmo eu já estando do outro lado da vida, volto para infernizar esses historiadores... ou estoriadores... tanto faz!
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