sexta-feira, 2 de abril de 2010

AMOR ESPELHO


Gosto muito de uma frase do Mário Quintana em que ele diz que "Amar é quando um mora dentro do outro...!".
Sempre entendi o recado do poeta, mas resolvi fazer uma outra leitura à respeito, e pensei nos casais que "vivem" a vida um do outro, sem respeitar individualidades e o espaço de cada um.
Essa coisa meio louca como sentimentos de posse, acabam gerando inseguranças de ambos os lados, pois afinal toda pessoa é única, e no máximo podemos complementar alguma coisa no outro, dando o nosso amor e afeto.
Isso tudo me fez lembrar dos seres andróginos. A história está em O Banquete de Platão, que data mais ou menos do ano 380 a.C.
Conta-nos o filósofo grego que em tempos remotos, existiam seres chamados andróginos, formados pela união do homem e da mulher. Os andróginos tinham duas caras, uma olhando em cada direção (podiam caminhar para frente e em marcha a ré), e um duplo corpo. Eram fortíssimos, e tinham tal ânsia de poder que tentaram conquistar o Olimpo, a morada dos deuses. Para anular essa tentativa, Zeus cortou em dois os andróginos. Desde então as duas metades procuram-se, sonhando, através da união, recuperar algo da antiga força.
Fortes eles eram, mas será que era fácil a vida deles? Como tinham duas faces, olhando em direções opostas, isso significa que nunca poderiam ver juntos um programa de TV, por exemplo. E na hora de fazer xixi...! Em pé ou sentado? Mesmo juntinhos assim, as divergências tomariam conta da vida de ambos.
Pensando bem, Zeus, talvez até sem querer, acabou fazendo um favor enorme à espécie humana. Tirou a força descomunal dos andróginos, certo, mas será que precisamos de força descomunal, para cumprir as tarefas do dia a dia, cuidar de nossas coisas e da vida, podermos trabalhar, e sim... amar?
Mas o melhor de tudo, é que essa separação acabou gerando uma irresistível atração entre os sexos. Uma atração que podemos chamar de amor ou de paixão, não importa. O certo é que uma nova energia foi gerada, e ela já não é mais usada para a conquista de redutos, divindades e individualidades; serve para aproximar homens e mulheres, que desta maneira descobrem o outro, e igualmente importante, descobrem a si mesmos no outro.
Conclusão: se Zeus aparecendo agora oferecendo-se para fazer um recall da espécie humana e nos devolver ao mundo sob a forma original de andróginos, deveríamos recusar de forma taxativa: "Não Zeus, estamos muito melhor assim, preferimos cada um com sua cara e olhando na direção que melhor lhe convém. Preferimos as nossas individualidades, a afirmação de nossas identidades pessoais. Preferimos procurar um ao outro, mesmo que esta busca tarde uma vida inteira, e que seja acompanhada de enganos, decepções, ou frustrações."
Um dia, quem sabe, poderemos refletir melhor sobre o nosso mundo e tentar melhorá-lo, sem que para isso tenhamos que invadir a vida do outro.
Ou o Olimpo.

20 comentários:

Lila disse...

Boa tarde...
A individualidade deve fazer parte sempre, mesmo pq "ser" e "estar" são coisas absolutamente distintas.
Tendo reciprocidade, confiança e acima de td, cuidado na relação, essa individualidade se dá de forma suave e plena.
Ótimo final de tarde, de uma sexta feira muito significativa.
Bjkas

Branca disse...

Adoro essa frase...

Francisco,
QUE NESTA PÁSCOA NOSSA FÉ SEJA REVIGORADA PELA CERTEZA DE QUE CRISTO RESSUSCITOU E ESTÁ ENTRE NÓS!

Bjo e desejo de uma Feliz e harmoniosa Páscoa junto aos seus!

Robson Schneider disse...

É isso amigão! essa coisa do "ar que eu resspiro" é literalmente sufocante. Volta e meia escrevo sobre isso. O quanto relações assim me causam claustrofobia. Costumo correr num parque aqui perto e observo alguns casais em pleno "exercicio" físico caminhando de mãos dadas (?)
Não é passear, mas caminhar exercitando de mãos dadas... acho o fim do mundo! me passa mais insegurança do que outra coisa.Não rola.
Abraços geminianos!

Ps: lembrei do email sim! mas rapaz eu to desconfiado que aquele meu texto vai gerar algum incomodo, não sei, é provavel que eu tb seja mal interpretado...

Lila disse...

Ara....tô vendo meu post....rs
Achou?
Bjs

AL. disse...

Já que é pra surtar, vou falar tudinho!
seguinte, tive um namorado que me seguia! sim, ele me seguia pra ver se eu estava MESMO nos lugares que eu dizia estar.
O dia que eu descobri, surtei! hahahaha
graçadeus faz tempo isso e desde então, ao menor sinal de loucura, possessão e votos ao PT eu corro!!! loucamente como se não houvesse amanhã!

besos e boa páscoa!

paula barros disse...

Francisco

Eu ainda queria amar e ser amada, sem viver essa perda de individualidade, sem invadir espaço e sem ver o meu espaço invadido.

Recentemente passei uma situação interessante, contei o mesmo fato a duas pessoas, uma diz gostar muito de mim, essa me interpretou, me julgou, ficou chateada, me ofendeu, ficou com ciúmes....a outra, sorriu comigo, brincou, ligou um fato a outro que passei, me comprendeu.

Deveria ser diferente não é mesmo? Esse amor que tendemos a dizer que amamos por vezes altera o olhar, a emoção, a sensibilidade, a compreensão de si e do outro..e prejudica a relação.

abraço, boa páscoa!

Vicky Thompsom disse...

Oi querido!

Já passei por uma barra assim, de controle total, e vc deve lembrar.
Tempos difíceis... hehehe

Minha viagem de retorno está marcada para o dia 18. Vê se liga, ao menos...

Beijos, beijinhos e bjokas!

A Língua Nervosa disse...

Pois é...
e olha q na csa onde moro não tem porta no banheiro....
parece banal???
quer invasão maior de privacidade, de individualidade???
:)
Mas falando sério...respeitar o espaço, os desejos, os trejeitos...é indispensável para um bom relacionamento....mas é difícil é difícil....sigamos na luta!
:)

Maris Morgenstern disse...

Eu não sabia dessa versão da nossa criação, já sabia daquela das almas gemeas, e da outra do adão e da eva lá, e outras tantas q falam da busca da nossa metade...
fiquei pensando como elas todas de alguma forma falam disse de encontrar aquele q nos completa...

joyce domingos disse...

oi fran querido...feliz páscoa!!!

eu volto mais tarde para ler o post com atenção e comentar!!


bjos

Anônimo disse...

Quem sabe agora vc pense bem antes de julgar alguém, ou a atitude de alguém que prefere viver sozinho do que sufocado...
Quem sabe meça melhor as palavras quando falar em amor verdadeiro.
Me mandava cartas dizendo ser o homem de sua vida, menos de duas semanas dizia isso a vc. Até a pouco tempo invadia meu msn. Vc tem o que merece, e nem chego a ter pena de vc. Espero que continue com ela pro restinho da tua vida, e terei me vingado de sua falta de ética. Quanto a mim, como pode perceber, sou um louco, e posso dar-me ao luxo de não ser hipócrita. O que adianta falar meu nome, sou um anônimo, como todos vcs. No entanto, não sou minha profissão, não vendo ilusões sob encomenda. Faço minhas ilusões, e as compram quem quer.
A todos teus amigos eu digo uma coisa, a mizéria humana é comum a todos, somos todos iguais, lamentavelmente, mesmo que uns pareçam mais educados, outros mais boçais...

continuando assim... disse...

estamos perto do final... se final houver.
o capítulo 18, é o último capítulo do livro
quem já leu o "Continuando assim...", sabe como termina o livro.
A todos vocês que têm andado por aqui pacientemente , lanço o desafio prometido .
Antes de publicar o último capítulo , gostava que me dissessem como gostariam de terminar esta história de Alice e André.
Podem publicar os "vossos finais" nos comentários ou mandar directamente para o mail
queirozteresam@gmail.com
Irei postar aqui todos os finais possíveis , todos os "vossos finais" :)
Estou quase certa que algum de vós encontra o final perfeito.
está lançado o desafio, para já espero as vossas respostas
um grande beijo a todos !!

Teresa

Francisco II disse...

Meu caro anônimo!
Seja lá quem for você, gostaria que fosse um pouco mais claro, pois confesso que não entendi suas colocações sobre quem mandou carta para quem, etc.
Se quiser, pode me mandar um email, sem problema algum, caso não queira se identificar.
Fique à vontade!

Denise disse...

Não consigo imaginar uma relação onde precisar tome o lugar do querer.
Precisar é doentio, aquela coisa de que o outro é sua metade, o ar que se respira e assim por diante.
È necessário ser inteiro e livre para se escolher estar junto.
O mais belo em uma relação de AMOR de verdade é imaginar que, por não precisar se esta ali por desejo e querer,porque antes de tudo é desejado estar..
Amor tem que ter leveza o “outro”, objeto do meu amor deve saber que não preciso dele, mas que o quero muito e que por isso estou ali, ao seu lado.

As exigências doentias do PRECISAR tem outro nome, menos amor.
carinho
Denise

Déia disse...

Viver sem espaço, impede a respiração...

Precisamos manter nossa individualidade e poder transitar entre o dentro e o fora do outro...
Só viver dentro, cansa e sufoca...

Eu prefiro circular rs

Beijos pros meus amorzinhos Cris e Dindo.

Déia disse...

Boa Tarde Amigo!!

O amor verdadeiro é deixar o outro ter seu espaço e vice-versa.
Sufocar e prender so fazem o amor partir.

Beijinhos ao casal

Re Fagundes disse...

Fico feliz que tenha gostado do meu cantinho..sinta-se em casa..rs

Seguidor nº 100 bom sinal..daqui a um século renovaremos nosso contrato :D

Bjo grande Francisco

Lu Dantas disse...

Oi, Francisco! Gostei muito das novidades por aqui. Desculpe a demora, mas é que, às vezes, a correria é tanta que fico sem entrar lá no blog.

Mas agora que já conheço o endereço novo, passarei sempre por aqui, viu!

Muito bom o texto!

Beijão

Beti Timm disse...

A individualidade é o fator mais importante que fortalece uma relação!
Só podemos amar e ser amados de verdade, quando formos únicos e individuais e deixarmos a pessoa que amamos ser tb. Só assim existe respeito e só assim um sentimento sobrevive!

Tô rindo do anônimo ao perceber que o discurso dele tão elaborado foi por água a baixo qdo escreveu "miséria" com "Z". É preciso se informar qdo "vomitar" conceitos e lamúrias, senão perde a graça...rs

beijos

S.E.D

Lou Albergaria disse...

Adorei seu blog! O que me trouxe aqui foi o nome dele; penso, logo surto! Genial!

Vi que é da minha turma, pois não barra os anônimos de seu indefectível DIREITO DE EXPRESSÃO.
Gostei da polêmica e do seu surto de liberdade.

Valeu!!!
BJ!