quarta-feira, 6 de outubro de 2010

HOMENS COM MAIS DE 50...


Um homem com mais de 50 anos de idade defronta-se com questões angustiantes: qual a chance de vir a ter câncer de próstata? Poderá sofrer de disfunção erétil? Hasteará a bandeira a meio pau? Verá o Internacional ser campeão mundial novamente? Suportará o exame de toque uma vez por ano? Ou vai querer que seja trimestral?
Alguns se arrependem de coisas de décadas antes: não ter pego a mão da Lulu na matiné do Cine Imperial só para não perder a cena do duelo, não ter beijado a Aninha na miniboate do Clube, ou ter beijado aquela baranga no carnaval de 1977, ter deixado cair a hóstia na cerimônia da primeira comunhão, ou ainda ter permitido que o Marcão levasse aquele disco dos Beatles e deixado em troca um da Rosemary. Isso sem falar em ter usado calça boca de sino, sapato plataforma e colete de lã.
Após os 50, algum se apavoram. Dizem que é hora de tomar uma decisão e de viver pelo menos uma experiência autêntica definitiva.
Já vi gente trocar de sexo, de ideologia, de partido político, de cabeleireiro, de carro, e até de parceiro por causa disso. Os tempos andam tão vertiginosos que tudo parece possível; até aquilo que nos choca. Por exemplo, um cara com mais de 50 anos trocar de clube de futebol, o Grêmio pelo Inter, o Inter pelo Grêmio. Aí, sejamos francos, já é falta de caráter ou desespero.
Precisamos, contudo, compreender as pessoas. Homens cinquentenários questionam-se sobre coisas inusitadas ou simplórias: devem usar Viagra ou é cedo? Fica bem nessa idade trocar o PP pelo PSol ou é melhor passar pelo PV antes? Usar tênis All Star e blazer não vai parecer coisa de velho babão querendo bancar o jovem? Devem arranjar uma desculpa para caçar naquele local da moda? Sair da Rua Padre Chagas em Porto Alegre para a casa da namorada tem algum significado? Qual?
Outro dia, num grupo de amigos com mais ou menos 50 anos de idade, quis saber qual a pergunta que eles mais faziam para si mesmos. A resposta foi unânime: "ainda vou comer uma gata de parar o trânsito?". Bando de velhos machistas...! Parar o trânsito...! Só essa expressão já mostra a idade que têm!
Depois dessa, encontrei o real significado para sair da Rua Padre Chagas e ir para a casa da minha namorada, que por sinal é de parar o trânsito...!
* Rua Padre Chagas em P.Alegre: Local frequentado por gente bonita e de "parar o trânsito..."

domingo, 19 de setembro de 2010

MULHERES MENTEM?


Juro que eu não sabia! Fiquei arrasado. Sempre fico assim quando leio artigos científicos sobre temas de grande importância cotidiana. Numa semana, o chocolate faz mal. Na outra, salva de muitas doenças. Num artigo o ovo é vilão, em outro é herói. Fico muito confuso com tudo isso...!
O que me deixou mais perdido que filho da p... no Dia dos Pais, é um estudo publicado na Archives of Sexual Behavior. Artigos desconcertantes sempre saem em revistas com nomes em inglês, depois viram matéria na Caras, Veja, Isto É, Contigo e "Mais Você".
O petardo da publicação americana, garante que as mulheres mentem para nós. Eu nunca havia pensado nisso. Diz mais, muito mais, terrivelmente mais: que as mulheres mentem para nós na hora da verdade. Fingem sentir orgasmos. Uauu...!!
Deixem eu tomar fôlego para poder continuar a escrever...!
Sabem todos aqueles gemidos, gritinhos, sussurros e até urros de Tarzan que elas soltam durante o sexo? Tudo fingimento! É pura manobra de incentivo para acabar logo com a coisa; melhorar a autoestima do parceiro, evitando gastos com psicanalistas ou longas "discussões da relação".
As mulheres segundo o estudo, são frias e calculistas quando convém, e às vezes atuam como um técnico de futebol à beira do gramado: "Vamo lá... vai...vai...agora...não para...dribla e entra com bola e tudo...!" Enquanto isso, o parceiro vai se sentindo o craque da rodada e não demora a fazer o gol. Em outras palavras, seria um tipo de ajuda mútua. Ou seja, o "técnico" motiva o "craque", e mantém sua estabilidade no clube!
Parece que quando elas gostam mesmo, aí ficam em silêncio, mudinhas.
Estou desolado...! É todo um imaginário que desaba. Nunca imaginei tamanha insensibilidade.
Aquilo que o cara imagina ser uma reação descontrolada de prazer, uma avalancha de sensações, não é mais do que a voz de comando da dona amestrando seu cão. Isso é uma inversão extraordinária! Quanta relação acabou porque a mulher transava sem soltar um pio. Ela estava adorando e o idiota a dispensou por falta de gemidos e urros.
Os números são mais impressionantes que os da popularidade do Luiz Inácio: 87% das mulheres entrevistadas disseram já ter soltados gritinhos de prazer para manipular o parceiro. É bem verdade que alguns homens também mentem para as mulheres. Alguns mais espertos, fingem acreditar que aqueles sussurros de gata no cio são verdadeiros, e aproveitam a situação como uma "autoajuda". Outros mentem para si mesmos; se achando "o cara", e esquecendo de fazer a sua parte para que elas berrem de verdade!
Por via das dúvidas, se você não mente para si mesmo e ainda assim sua mulher começar a gritar mais que o Felipão na beira do campo, tome providências: mude de técnico...!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

SERES BIZARROS


Como eu sou bizarro, presto atenção em seres bizarros. Ou seja, bizarros diferentes de mim.
Algumas categorias bizarras me chamam sobremaneira a atenção: os leitores de Nietzsche, de Clarice Lispector e de Caio Fernando Abreu, os frequentadores de consultórios de psicanálise, e os adoradores de pés femininos, onde me incluo.
São tres espécies curiosas, uma fauna esquisita, orgulhosa, cheia de si, que se crê superior. Os leitores de Nietzsche podem ser os mesmos de Clarice e de Caio: deslumbrados ou deprimidos. Em geral, ambos. Adoram citar seus mestres, especialmente as citações mais obscuras, o que é bastante fácil de encontrar.
Os adeptos de Nietzsche podem ser ressentidos que denunciam o ressentimento 24 horas por dia. Extremamente excitante...!
Poderia incluir também, os fãs de carteirinha do Padre Fábio de Melo. As poucas vezes que o li, fiquei impressionado com o poder em teorizar sobre o amor, sem vivê-lo na prática, se bem que alguns padres hoje em dia... sei não! Padre "celebridade Global", não faz a minha cabeça.
Os frequentadores deslumbrados de consultórios de psicanálise são os únicos pacientes do mundo felizes com a própria condição de doentes. Quanto mais dura o tratamento, mais eles se sentem privilegiados. Cada vez que o "doutor" avisa que a ideia de cura é muito subjetiva, o paciente exulta. Tem paciente que já chega no consultório com um livro de Clarice Lispector ou de Caio Fernando Abreu. Aí o tratamento pode durar a vida inteira, com passagens do psicanalista e do paciente por oficinas literárias, Feira de Paraty, casas noturnas, bares com música de fossa, ou terminar numa sessão de umbanda.
Clarice e Caio eram dois chatos. Chatos sofisticados, adoráveis e com charme. Os textos de ambos são repletos de filosofia pessoal, de intimismo duvidoso e de reflexões sobre o sentido da vida. Releio-os ouvindo Maysa, com um copo de whisky sobre a mesa, e alisando uma gilette no pulso esquerdo!
Os textos de ambos me lembram poesia de adolescente em crise de identidade, ou então aquelas pessoas que parecem saidas de uma paisagem de outono.
Por fim, existem os adoradores de pés femininos, e até já escrevi sobre isso no meu finado blog. Qualquer dia desses, volto ao tema.
Mais bizarro do que tudo isso, só mesmo meu falecido tio Carlos que adorava comer feijão com goiabada... ou o sobrinho dele que ousa falar mal de Clarice e Caio F. na blogosfera...!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

DOCES VAMPIROS


Publiquei este texto há meses atrás, mas logo em seguida deletei-o. Achei-o inconsistente, e não estava plenamente convencido da existência desses seres "adoráveis".
Hoje, não tenho mais dúvidas. Doces Vampiros existem, e quando entram nas nossas vidas, fazem um estrago daqueles!
A forma como se aproximam, é sempre a mesma. São encantadores, mostram-se apaixonados, falam coisas que nos fazem levitar, e em pouco tempo oferecemos nosso pescoço ao menor sorriso ou gesto deles.
Durante algum tempo, somos a presa preferida, pois saciam suas vontades sem dar nada em troca, a não ser promessas e carinhos duvidosos, e por estarmos envolvidos, não percebemos a falsidade deles.
Alguns não querem apenas sangue. Querem mais... sugam nossas energias, e em pouco tempo apoderam-se da nossa alma. São tão convincentes que nos fazem acreditar que temos uma "ligação" eterna com eles, e que somos "almas gêmeas"! Como se vampiro tivesse alma...!
Com o tempo, ficamos exauridos física e mentalmente. Nessa hora, alegam necessidade de voltarem à Transilvânia para encontrarem o "seu eu", e de dentro do castelo, à distância, tentam monitorar nossas vidas para terem a certeza que ao recuperarmos as forças, outro "colega" não vai se aproximar.
Durante nossa recuperação, é claro que ficam de olho em outras prováveis vítimas, pois Doce Vampiro que se preze, não fica muito tempo sem o sangue alheio.
É bom ficar de olho! Não sei se carregar um crucifixo ou uns dentes de alho adianta alguma coisa. O certo é que ao menor sinal de aproximação de alguém adorável, bem falante, e dizendo-se apaixonado, é bom ficar alerta.
Depois de envolvidos, difícilmente conseguimos nos livrar. Em alguns casos a situação é tão séria, que simplesmente ficamos sem forças para sempre, e se não cairmos fora no momento certo, nem um simples texto nos nossos blogs conseguiremos publicar.
Como é bom estar aqui, e poder publicar um texto para vocês...!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

HOMENS OU ESPONJAS


Nunca acreditei no parentesco do homem com o macaco. Pensei muito no assunto antes de escrever, e examinei demoradamente cada uma dessas espécies. A disparidade é enorme, e conclui que o homem não descende do macaco. Seria humilhante demais... para o macaco!
Jamais se viu macaco pedindo autógrafo para duplas sertanejas, ou acreditando que com bolsa família os problemas dos seus semelhantes estarão resolvidos.
Tenho acompanhado alguns estudos científicos e posso garantir para vocês que o homem vai lamentar por não ser parente do macaco. Somos parente da esponja do mar. Alguns humanos são esponjas...
Cientistas australianos descobriram que os humanos compartilham 70% dos seus genes com as esponjas do mar. Parece que as esponjas não estão contentes, e sentiram-se ultrajadas. Entre elas, do que se sabe até agora, nenhuma leu Paulo Coelho nem comprou livros de autoajuda. A atividade cerebral média das esponjas é muito maior que a da maioria dos participantes de um "Big Brother".
É certo que não existem esponja-melancia, esponja-moranguinho ou esponja maria-chuteira. Os cientistas mais otimistas garantem que o processo evolutivo pode garantir para alguns humanos o estágio superior das esponjas. É só uma questão de milênios, o que é nada na escala temporal planetária.
As esponjas são tão mais evoluídas que se reproduzem assexuadamente, salvo as mais assanhadas. Um fragmento de esponja pode se transformar em uma nova esponja, pois elas chegaram muito antes de nós à clonagem.
Há esponjas diferentes entre si, mas elas não se orgulham disso, e nem brigam por isso. O habitat delas é o mar, e não o bar. As esponjas, a exemplo de muitos humanos, são grandes absorventes de detritos. A diferença é que elas não os produzem nem os deixam espalhadaos pelas ruas e praias.
Apesar de solidárias, elas jamais defenderam o socialismo real. Não há notícias de esponjas comunistas nem de um holocausto esponjoso.
Talvez num próximo estudo os cientistas nos tragam mais novidades, o certo é que por enquanto a nação dos macacos ficou muito feliz. Eles sentiram-se aliviados, pois não suportavam mais a comparação.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

TANGO EM PORTO ALEGRE


Há algumas noites atrás, fazia muito frio em Porto Alegre.
Amelita Baltar, a musa de Astor Piazzolla, apresentava-se no Salão de Atos da UFRGS. Estava em casa me preparando para assistir um filme do 007, quando recebi o convite de uma amiga para ir ao show. Pensei...James Bond pode esperar. Amelita, não. O tango vale qualquer sacrifício. Até a geladeira do Salão de Atos. Acho que a calefação foi desligada para economizar. Coisa de locais administrados pelo governo. Tinha vento encanado, e fiquei com medo de pegar uma pneumonia. Parecia circo no Interior, com o vento sibilando por entre os rasgos da velha lona. Da próxima vez, juro que levo um cobertor para cobrir os joelhos.
O show foi nota dez. Amelita nasceu em 1940, e é meio maluquinha. Canta maravilhosamente; tem senso de humor, e mostrou suas longas pernas, saindo de uma fenda do vestido. Ela disse que Piazzolla primeiro se apaixonou pelas pernas, e só depois pela sua voz. Que pernas lindas tem Amelita, quase aos 70 anos! E que voz! Eu quase realizei um sonho: levantar e gritar "bravo, bravo!". Sempre penso em fazer isso quando assisto um grande artista, mas a timidez me impede.
Já falei uma vez que queria saber dançar tango e tocar bandoniôn. Se tocasse esse instrumento maravilhoso, largava tudo, mulher (se tivesse), filhos, cargo no Senado, supersalário no Tribunal de Contas, e me mandava pelos povoados da Argentina, tomando Malbec, lendo Borges, vendo jogos do Boca Juniors em Tvs de pequenos hotéis, até voltar para Porto Alegre, onde tocaria no Cais do Porto em pleno inverno. O frio seria o mesmo que no Salão de Atos.
Amelita interrompeu o show e mandou colocar luz sobre as partituras para que os músicos pudessem ler. Detesto também essa mania do escuro. Há bares, com mesas, onde as pessoas sentam para conversar na escuridão quase total e com música mais alta que mil vuvuzelas zumbindo. Todos gritam e espremem os olhos para se olharem. Dizem que isso cria uma "certa atmosfera"!
Piazzolla, Amelita e seus muchachos. A voz dela tem pegada, e o tango torna-se pura atitude. Aposto que alguns jovens que gostam de "papo-cabeça", foram ver o dismilinguido do Jorge Drexler que também se apresentava por aqui. Esse Jorginho até que não é ruim. Com um pouco mais de esforço, dará um meio Kleiton ou um Kledir.
Amelita me tirou do sério. No final, num arroubo, cheguei a emitir aquele "hu hu" dos fãs em shows. Meio tímido é verdade, mas acho que ninguém viu. Mesmo assim me senti realizado. Aos poucos estou superando minha inibição. A quase setuagenária Amelita continua uma gata.
Só faltou eu abrir uma garrafa de vinho depois da meia noite, em casa, com o ar ligado no máximo e muito tango ao fundo. O resto, obviamente, não posso contar.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

VOLTANDO AO BLOG !


Há quase um mês atrás, resolvi "dar um tempo" por aqui. Queria refletir sobre algumas coisas na minha vida, reciclar outras, ser solidário com um determinado fato, e tentar enxergar o que havia atrás de um alto muro que construí.
Passado esse tempo, não refleti sobre coisa alguma, reciclei menos ainda, vi que nem sempre vale à pena ser solidário, e pude perceber que o tal muro não era tão alto assim.
Peço desculpas pela ausência nos blogs dos amigos, mas prometo retomar as visitas e curtir cada palavra escrita, pois a saudade é grande.
Antes de publicar meu próximo texto, deixo aqui uma frase mandada por uma grande amiga, que por coincidência enviei à ela há tempos atrás.
" A gente ama enquanto pode... esquece quando é preciso... e aprende que só vale a pena lutar por aquilo que valha a pena possuir! "
Um beijo no coração de todos!