
Ontem, revendo fotos antigas dos meus tempos de criança na praia, constatei como éramos infelizes. Ninguém, por mais lindo que fosse, conseguia ficar bonito com aqueles trajes.
Com o passar dos anos, acompanhei a evolução do biquini. Teve o "asa delta", "fio dental", e até a inesquecível sunguinha de crochê imortalizada pelo Gabeira!
Lembro de um short de nylon que ganhei de presente; tinha um bolsinho na parte traseira para colocar o pente, e ao entrar na água, ele estufava como um para-quedas. Lindo!!
Acho que é o frio que faz em Porto Alegre, que me trouxe essas lembranças...
Mas, continuando essa interesante análise antropológica sobre trajes de banho, lembrei que durante muitos anos o padrão de mulher "boa" no Brasil foi o tipo violão. Mais anca do que peito. Aos poucos fomos nos enquadrando nos padrões internacionais de beleza, embora persistisse a certeza de que o padrão violão era melhor e os estrangeiros não sabiam o que estavam perdendo.
O tipo longilíneo se impôs e hoje nem entre os travestis, estes guardiões das virtudes femininas em desuso, se encontra o formato antigo. E viva o colonialismo cultural!
A evolução do maiô teve muito a ver com isso. O advento do biquini e da tanga, condenou a coxa larga a adaptar-se ou sair da praia.
A transformação do traje de banho trouxe outros benefícios para a humanidade e seus fundilhos. Ainda peguei o tempo dos calções infantis de pano. Era um horror! Eles ficavam pesados e ásperos quando molhados e cheios de areia, e nos assavam as pernas e a bunda.
Lembro também, que até uma determinada época, os "maillots" eram discretos e feitos em cores sóbrias. Tudo para disfarçar que as moças tinham sexo. Mas a gente sabia que elas tinham, embora não se tivesse bem certeza de como funcionava.
Conclusão: bons tempos, nada!



